Finalmente criei um blog, mas infelizmente os textos que coloco não são da minha autoria, um dia, quem sabe, me atrevo a escrever alguma coisa.
Estou tentando, ao máximo, ser fiel aos escritores, mas nem sempre consigo, então na incerteza da autoria, estou colocando AD (Autor Desconhecido). Com relação às fotos, estou buscando no Google e não cito as fontes por não saber a quem pertence.
Caso você encontre aqui algum erro de autoria, alguma foto que não posso usar sem citar a fonte, favor comunicar.

Meus beijos e sejam bem vindos!
Virgínia Costa

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Canalha e Safada


“ É um defeito, mas nada mais delicioso do que ouvir de uma mulher: “CANALHA!” . Ser chamado de “canalha” por uma voz feminina é o domingo da língua portuguesa. O som reboa redondo. Os lábios da palavra são carnudos. Vontade de morder com os ouvidos. Aproximar-se da porta e apanhar a respiração do quarto pela fechadura.

Canalha, definitivo como um estampido, como um tapa. Não ser chamado de canalha pela maldade, mas por mérito da malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo. Não o canalha canalha, mas o ca-na-lha, sem repetição. Único. Irrepetível. Não o canalha que deixa a mulher, o canalha que permanece junto. O canalha adorável que ultrapassou o sinal vermelho para levá-la. O canalha que é rude, nunca por falta de educação, para acentuar a violência do amor. Canalha por opção, não devido a uma infelicidade e limitação intelectual. Canalha em nome da inteligência do corpo.

O canalha. Como um elogio. Um elogio para dizer que é impossível domesticar esse homem, é impossível conter, é impossível fugir dele. Canalha como pós-graduação do “sem-vergonha”.

…….. Estou falando do canalha que suscita aproximação, abraço, desejo. Um canalha que é um pedido de casamento entre as vogais.
……. Canalha funciona como uma agressão íntima. Uma agressão afetuosa. Uma provocação. Não se está concluindo, é uma pergunta. Canalha é uma interrogação gostosa. “

Põe tarja rosa no lugar da preta. Canalha tem um equivalente.

Desembarcamos no ponto alto: se o canalha fosse mulher, seria SA-FA-DA. É o café cortado que faz par ao expresso. A pronúncia é igual. Aberta, com as vogais batendo três vezes nos dentes. Safada é o vodu da dicção. Alfineta a boca. Estala, como aldrava numa porta.

Quando o homem fala SAFADA, tem dificuldade para terminar. É derrotado pelo prazer. Prolonga ao máximo, como um guizo de uma cascavel. Depois de verbalizar, sente imediatamente uma saudade sonora.
Safada é expressão para morder, por mais que se queira lambê-la. Pode ser disparada no cantinho de trabalho ou numa roda de samba. É um elogio da malícia feminina, reconhecimento ao incontrolável temperamento. Com “sua” na frente é AVC. Não há como negociar prazos.

Repare: Sua Safada. O pulmão pede passagem. Mais consagração do que ofensa. Picardia na medida certa. Melodia que insinua e não limita o delírio.

Um sujeito somente diz quando reconhece que está sendo derrubado e nunca gostou tanto de ser masoquista. “Safada” é gritado como canalha. Ainda que num sussurro, ultrapassa o limite de 60 decibéis e deflagra a poluição sonora.

É um “não esperava” esperando. O cara restará idiota, com o rosto perplexo de quem pensa “nos conhecemos de algum lugar?” e não estraga o momento com essa pergunta. Traz uma autoridade milenar, um conhecimento secreto que não merecer ser revelado, muito menos questionado.

Safada é libertinagem ingênua, devassidão castiça. Safada é o que o homem encontrou para não entregar que está apaixonado.

(Fabricio Carpinejar)

Benditas


Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas
A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre o amor não mente, não
mente jamais
E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma.

(Martinália / Zélia Duncan)

Os Famosos também Amam


Ainda não tive tempo de ler o livro, mas o assunto já entrou no meu dia-a-dia através de conversas e solicitações de opinião para programas de tevê. Divas abandonadas, da jornalista Teté Ribeiro, traz o perfil de sete ícones do século XX: Marylin Monroe, Jackie Kennedy, Maria Callas, Tina Turner, Ingrid Bergman, Sylvia Plath e Princesa Diana, mulheres que, em comum, tinham projeção, charme e amores tumultuados. A pergunta que tem sido feita é: por que mulheres bem sucedidas em suas atividades públicas costumam amargar o insucesso em suas vidas privadas?

Bom, há muita coisa para se debater a respeito. Pra começar, o que é insucesso no amor? Tina Turner levava uns tabefes do seu marido e parceiro musical Ike Turner. Marylin casou três vezes e teve alguns amantes antes de cometer suicídio aos 36 anos. Diana casou com um príncipe que amava outra e depois se meteu com uns sujeitinhos que vendiam para os tablóides os detalhes de sua intimidade. Quem está livre de cruzar com um cafajeste e, pior, se apaixonar por ele?

Ainda assim, resisto em embarcar na história de que mulheres poderosas possuem mais chances de serem infelizes no amor. Vai depender do quanto o amor é realmente prioritário em suas vidas.

E mais: ser feliz no amor não significa, obrigatoriamente, casar, ter filhos e comemorar bodas de ouro. Talvez todas as divas do livro tenham sonhado com isso em algum momento, mas, tivessem concretizado esse sonho, não há garantia nenhuma de que seriam mulheres mais realizadas. Todas elas tinham uma rotina dinâmica, eram cercadas de muitas pessoas e de muito estímulo social, artístico e intelectual: fugiam à regra das mulheres comuns. Um casamento convencional talvez amortecesse sua natureza inquieta.

Quando analisamos a vida das celebridades, incorremos numa série de especulações e fantasias. Por um lado, acreditamos que por elas serem pessoas lindas e ricas têm o dever de ser igualmente bem sucedidas em suas relações amorosas, para fechar o círculo da perfeição absoluta. Elas personificam um ideal. Quando não cumprem com a expectativa que depositamos nelas, ficamos inseguros. Se pessoas tão especiais não conseguem ser amadas, o que dirá nós, que temos celulite, barriga, pouca grana e um dente torto?

E há os que, numa análise diametralmente oposta, vibram com a instabilidade emocional dessa gente. É como se eles pagassem um preço pela fama. O sujeito tem uma Ferrari, mas não consegue uma mulher que o adore pelo que ele é, só pelo que ele tem. A mulher é a gostosa do século, mas não emplaca uma relação que dure mais de seis meses. Nós, ao menos, somos felizes no amor, né bem?

Não há nada de errado com a vida dos outros. Nem nada de muito certo. Não há uma regra que valha para todos os artistas, ou para todos os dentistas, ou para todos os frentistas. Marylin nunca ficou casada mais do que quatro anos, já Sophia Loren ficou cinquenta anos com o produtor Carlo Ponti. Diana não se adaptou à monarquia, já Grace Kelly viveu como Princesa de Mônaco por 27 anos, até falecer num acidente. Se eram felizes essas que mantiveram seus casamentos por mais tempo? Vá saber.

Em suma, não deve ser fácil construir uma relação perene, tendo um cotidiano tão frenético: o amor necessita de dedicação. Aliás, não anda fácil construir uma relação perene tendo qualquer cotidiano. A diferença entre as divas e nós é que a vida delas está na vitrine, para nosso julgamento. Nossas dores ficam entre quatro paredes.

(Martha Medeiros)